Resenha: Final Fantasy X/X-2 no Switch 2 vale a pena?

Clássicos da Square Enix ganham versão própria para Switch 2, com melhorias que tornam a viagem por Spira mais confortável

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Vinícius Gobira
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

Final Fantasy X foi lançado originalmente para o PlayStation 2 em 2001 e marcou uma transformação importante para a franquia da Square Enix. Além de apresentar gráficos totalmente em 3D, o jogo foi o primeiro capítulo numerado da série com personagens dublados.

Em 2003, Final Fantasy X-2 deu continuidade à história de Spira. A sequência também quebrou uma tradição: até então, os principais jogos da franquia costumavam contar histórias independentes, sem receber continuações diretas.

Mais de duas décadas depois, as aventuras de Tidus e Yuna estão de volta em Final Fantasy X/X-2 HD Remaster para Nintendo Switch 2. A nova edição tem lançamento marcado para 23 de julho de 2026 e reúne os dois RPGs, conteúdos extras e mais de 100 horas de gameplay.

É importante explicar, porém, que essa não é a primeira remasterização dos jogos. A coletânea em alta definição estreou no fim de 2013 e, desde então, passou por diferentes plataformas, incluindo consoles PlayStation, PC, Xbox One e o primeiro Nintendo Switch.

A pergunta, portanto, não é apenas se Final Fantasy X continua sendo um grande jogo. O ponto principal é descobrir se esta nova versão para o Switch 2 oferece motivos suficientes para retornar a Spira, especialmente para quem já comprou a coletânea anteriormente.

Uma edição própria para o Nintendo Switch 2

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster possui uma edição desenvolvida especificamente para o Nintendo Switch 2. Não se trata apenas da versão de Switch funcionando por retrocompatibilidade.

A distinção é importante porque as duas opções continuam disponíveis. O jogo lançado para o primeiro Switch em 2019 é compatível com o Switch 2 e mantém o mesmo comportamento apresentado no console original. Paralelamente, a Square Enix oferece esta nova edição exclusiva para o hardware mais recente da Nintendo.

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

A versão para Switch 2 ocupa aproximadamente 27,8 GB e é vendida digitalmente. Ela não funciona no primeiro Nintendo Switch. Também não existe um pacote de atualização, gratuito ou pago, para transformar a edição antiga na nova. Quem já possui Final Fantasy X/X-2 HD Remaster no Switch precisa comprar novamente o jogo para ter acesso à versão própria do Switch 2.

Os arquivos salvos também são incompatíveis. Isso significa que uma campanha iniciada no primeiro Switch não poderá ser continuada na nova edição. É uma decisão difícil de defender, principalmente em uma coletânea que exige dezenas de horas para ser concluída.

O que muda na nova versão?

O principal destaque da edição para Nintendo Switch 2 não está em uma reconstrução gráfica completa, mas nas ferramentas que deixam a experiência menos cansativa.

Entre os recursos anunciados estão o modo acelerado, a possibilidade de remover os encontros aleatórios e outras opções de qualidade de vida. Essas funções são úteis em um RPG criado em uma época na qual batalhas repetitivas e longos períodos de evolução faziam parte da estrutura tradicional do gênero.

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

Alguns desses facilitadores já estavam disponíveis na edição para computadores, mas não haviam sido incorporados da mesma forma às versões anteriores para consoles. A chegada deles ao Switch 2 corrige uma ausência bastante sentida no lançamento de 2019 para o primeiro Switch.

O jogador continua livre para seguir a experiência tradicional. Não é necessário acelerar o jogo ou desligar os encontros. As ferramentas ficam disponíveis para quem deseja reduzir a repetição, atravessar áreas já conhecidas ou priorizar a narrativa. Essa liberdade combina muito bem com a proposta portátil do Switch 2. É possível jogar pelo método clássico em casa e acelerar partes mais demoradas durante uma sessão curta fora da televisão.

Uma história que continua viva

Existem jogos que são lembrados apenas pela importância que tiveram em sua época. Outros permanecem relevantes porque seus temas continuam encontrando novas maneiras de conversar com o público. Final Fantasy X pertence ao segundo grupo.

Revisitar Spira é perceber que o jogo nunca dependeu somente dos gráficos, das invocações gigantes ou do combate por turnos. O que sustenta a aventura é uma história que não foge de assuntos difíceis, como sacrifício, luto, culpa, religião e medo.

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

Tidus é um famoso jogador de blitzball que vê sua cidade ser atacada por uma criatura gigantesca conhecida como Sin. Depois do desastre, ele acorda em um mundo que não reconhece e acaba conhecendo Yuna, uma jovem invocadora em peregrinação.

A missão de Yuna é visitar diferentes templos, conquistar novas invocações e se preparar para enfrentar Sin. A ameaça destrói cidades e retorna repetidamente, obrigando os moradores de Spira a conviver com a possibilidade de uma nova tragédia. Na superfície, a aventura parece seguir a conhecida fórmula de um grupo tentando salvar o mundo. Aos poucos, entretanto, Tidus descobre que existe um preço muito maior escondido por trás da esperança oferecida à população.

Uma peregrinação que cobra caro

Spira é um mundo que aprendeu a aceitar a dor como parte da rotina. Seus habitantes cresceram ouvindo que determinados sacrifícios são inevitáveis e que as tradições precisam ser respeitadas, mesmo quando ninguém consegue explicar por que elas ainda existem.

O roteiro questiona o que acontece quando uma sociedade inteira passa a tratar o sofrimento como destino. Em Spira, o medo virou cultura. A fé oferece conforto, mas também pode ser usada para impedir questionamentos. O correto nem sempre é aquilo que protege as pessoas, mas simplesmente o comportamento repetido durante gerações.

Essa complexidade ajuda a manter a história atual. O jogo não fala apenas sobre derrotar uma criatura, mas sobre encontrar coragem para interromper um ciclo que todos foram ensinados a considerar normal.

Tidus e Yuna conduzem a emoção

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

O relacionamento entre Tidus e Yuna está no centro da experiência. Tidus chega a Spira perdido, impulsivo e incapaz de entender por que tantas pessoas aceitam um destino tão cruel. Sua personalidade barulhenta pode causar estranhamento no começo, mas é justamente sua incapacidade de ficar calado que movimenta a história.

Ele faz as perguntas que os habitantes de Spira deixaram de fazer. Yuna segue pelo caminho oposto. A jovem invocadora parece calma, educada e completamente preparada para cumprir sua missão. Com o tempo, percebemos que sua serenidade esconde um enorme peso emocional.

O combate por turnos envelheceu muito bem

Final Fantasy X possui um dos melhores sistemas de combate da franquia. As batalhas acontecem por turnos, mas o jogador pode visualizar antecipadamente a ordem das ações. Isso permite calcular ataques, curas e habilidades especiais sem precisar agir no desespero.

Também é possível trocar os integrantes da equipe durante o confronto. Cada personagem tem vantagens específicas, incentivando o uso de praticamente todo o elenco. O sistema é fácil de entender e oferece bastante espaço para planejamento. Chefes mais difíceis obrigam o jogador a observar padrões, administrar recursos e pensar antes de escolher cada ação.

Decisões estratégicas envelhecem melhor do que sistemas dependentes apenas de reflexos ou efeitos visuais. Por isso, mesmo depois de mais de duas décadas, as batalhas de Final Fantasy X permanecem envolventes.

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

Sphere Grid oferece liberdade para evoluir

A evolução dos personagens acontece por meio da Sphere Grid, uma grande rede formada por atributos, magias e habilidades. Ao participar das batalhas, os integrantes ganham pontos que permitem avançar por esse tabuleiro. Cada espaço desbloqueado pode aumentar a força, a defesa, a velocidade ou ensinar uma nova técnica.

No começo, os personagens seguem trajetos relacionados às suas funções tradicionais. Com o tempo, entretanto, é possível atravessar outras áreas da grade e criar combinações diferentes.

O sistema oferece uma sensação constante de progresso, mas também pode exigir muitas horas de dedicação. Para quem pretende completar toda a grade e enfrentar os chefes opcionais, o grind ainda se torna cansativo. É justamente nesse ponto que o modo acelerado da edição para Switch 2 se mostra mais útil.

Final Fantasy X-2 muda o tom da aventura

Final Fantasy X-2 se passa dois anos depois dos acontecimentos do primeiro jogo e apresenta uma Spira completamente diferente. Yuna agora viaja ao lado de Rikku e Paine como uma caçadora de esferas. Esses objetos guardam registros do passado e podem ajudar a solucionar um mistério ligado a uma imagem aparentemente familiar.

A sequência adota um clima mais leve, colorido e descontraído. A mudança pode causar estranhamento, principalmente para quem termina Final Fantasy X esperando outra história igualmente melancólica.

Porém, a alteração de tom possui uma justificativa. Depois de passar tanto tempo presa ao medo, Spira finalmente precisa descobrir o que significa viver com liberdade. Sem uma ameaça determinando o comportamento coletivo, diferentes grupos políticos e religiosos começam a disputar o futuro do mundo.

O roteiro de X-2 é mais irregular e possui situações exageradas. Mesmo assim, a ideia de acompanhar as consequências da história anterior é interessante e ajuda a completar a transformação da protagonista.

Dresspheres tornam as batalhas mais rápidas

Se Final Fantasy X-2 divide opiniões por causa da narrativa, seu sistema de combate merece reconhecimento. As batalhas são mais velozes e utilizam as Dresspheres, roupas que permitem trocar a classe das personagens.

As mudanças podem acontecer durante os confrontos, oferecendo grande liberdade para criar estratégias. Uma personagem responsável pela cura pode assumir uma função ofensiva, enquanto outra troca rapidamente para uma classe de suporte.

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2
Final Fantasy X/X-2 HD Remaster | Reprodução/Nintendo Switch 2

Afinal, vale a pena no Nintendo Switch 2?

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster continua sendo uma coletânea excelente, especialmente para quem nunca visitou Spira. Final Fantasy X permanece como o grande destaque. A história ainda emociona, os personagens continuam marcantes e o combate por turnos oferece um nível de estratégia capaz de prender o jogador durante dezenas de horas. Final Fantasy X-2 não alcança a mesma força narrativa, mas apresenta um sistema de classes criativo e uma perspectiva importante sobre o futuro de Yuna e de Spira.

A edição para Nintendo Switch 2 melhora a experiência ao incorporar modo acelerado, controle dos encontros aleatórios e outros recursos que respeitam o tempo do jogador. Essas ferramentas tornam a jornada menos desgastante.

O problema está na maneira como a nova versão é comercializada. A ausência de um pacote de atualização e a incompatibilidade dos arquivos salvos tornam a recomendação mais complicada para quem já possui o jogo no primeiro Switch.

O saldo final é positivo. A história tocante, a trilha sonora marcante e o sistema de gameplay que marcou o PS2 fazem desse clássico uma excelente opção a ser revisitada.

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