Resenha: ZeroSpace é o RTS que vale a pena conhecer
Jogo de estratégia chega ao acesso antecipado com boas ideias e espaço para evoluir

Sempre que um novo jogo de estratégia em tempo real ambientado no espaço é anunciado, a comparação com StarCraft parece inevitável. Enquanto muitos títulos preferem fugir dessa responsabilidade, ZeroSpace abraça a disputa e tenta conquistar justamente o público que sente falta de um RTS rápido, competitivo e cheio de possibilidades estratégicas.
Desenvolvido pela Starlance Studios e pela Ironward, o jogo foi lançado em acesso antecipado para PC, via Steam, em 20 de julho de 2026. Sua proposta reúne campanha cinematográfica, heróis, facções assimétricas, unidades mercenárias, partidas cooperativas e uma guerra multiplayer capaz de alterar o mapa da galáxia.
É um projeto ambicioso, e essa ambição é, ao mesmo tempo, sua maior qualidade e seu principal risco.
Combate rápido e controles eficientes
O maior acerto de ZeroSpace está em sua jogabilidade. Os comandos respondem bem, as unidades se movimentam com precisão e as habilidades são ativadas rapidamente, mesmo quando a tela está tomada por explosões, tropas e veículos.
O sistema econômico também é relativamente simples, reduzindo tarefas repetitivas e permitindo que o jogador se concentre no que realmente importa: controlar pontos estratégicos, expandir seu território e decidir onde posicionar o exército.

Ficar parado atrás das defesas raramente é uma boa opção. O jogo incentiva o avanço constante e transforma o domínio do mapa em parte fundamental de cada partida.
Essa velocidade, porém, pode assustar quem não está acostumado com RTS competitivos. Felizmente, é possível reduzir o ritmo nas configurações, recurso que ajuda bastante durante o aprendizado das unidades, construções e habilidades.
Montar um exército equilibrado faz diferença
Em ZeroSpace, produzir grandes quantidades de uma única unidade pode funcionar nos primeiros minutos, mas dificilmente sustentará uma partida inteira. Quando o adversário encontra a resposta adequada, um exército aparentemente poderoso pode desaparecer em poucos segundos.
Por isso, equilibrar infantaria, veículos pesados, unidades aéreas e especialistas é essencial. O combate se torna mais interessante conforme o jogador aprende a adaptar sua composição e reagir às escolhas do oponente.

Os heróis também ocupam um papel importante. Eles possuem habilidades capazes de mudar o rumo de uma batalha, lembrando o sistema de Warcraft 3, mas não substituem a necessidade de formar um exército bem estruturado.
Campanha aposta em escolhas e relacionamentos
Embora o multiplayer ocupe uma parte importante da experiência, a campanha é um dos elementos que mais diferenciam ZeroSpace de outros RTS recentes.
A história apresenta cenas cinematográficas, diálogos interativos, escolhas narrativas e relacionamentos com heróis de diferentes facções. A inspiração em RPGs como Mass Effect e Baldur's Gate aparece principalmente nas conversas e nas decisões que podem alterar o desenvolvimento da trama.

O problema é que ZeroSpace ainda está em acesso antecipado. A campanha começa de maneira promissora e apresenta cenários variados, mas parte de seu potencial dependerá da velocidade com que os desenvolvedores ampliarem e refinarem esse conteúdo.
Para quem pretende jogar principalmente sozinho, esse é o maior ponto de atenção.
Guerra Galática depende da comunidade
Outro destaque é a Guerra Galática, um modo persistente separado da campanha principal. Nele, jogadores escolhem facções e contribuem para um conflito compartilhado, disputado em diferentes formatos.
Há opções cooperativas, confrontos contra a inteligência artificial, partidas de dois contra dois, cenários especiais e duelos competitivos. Os resultados de cada jogador ajudam a definir o avanço das facções pelo mapa.

No papel, a ideia é excelente. O sistema pode criar uma sensação de progresso contínuo e oferecer motivos para continuar jogando depois da campanha.
Seu sucesso, no entanto, depende diretamente de uma comunidade ativa. Sem uma quantidade consistente de jogadores participando das batalhas, a guerra corre o risco de perder parte do impacto e da sensação de disputa coletiva.
Cooperativo ainda precisa de equilíbrio
As partidas cooperativas são divertidas, especialmente quando dois jogadores precisam dividir responsabilidades e reagir rapidamente às ameaças.
Em alguns momentos, porém, a quantidade de ataques transforma a experiência em uma sequência caótica de emergências. Em vez de executar uma estratégia planejada, a dupla pode passar boa parte do tempo correndo de um lado para outro para impedir que a base seja destruída.

Esse ritmo intenso combina com a proposta competitiva de ZeroSpace, mas pode afastar jogadores que preferem construir suas bases com calma ou desenvolver planos de longo prazo.
Ajustes de equilíbrio serão importantes para que o cooperativo continue desafiador sem se tornar cansativo.
Vale a pena jogar ZeroSpace?
ZeroSpace possui uma das bases mais interessantes entre os RTS recentes. O controle das unidades é preciso, as facções apresentam diferenças relevantes e a composição dos exércitos realmente influencia o resultado das batalhas.
Jogadores interessados em multiplayer competitivo encontrarão uma experiência rápida, exigente e repleta de habilidades. A combinação de heróis e mercenários também abre espaço para estratégias variadas.
ZeroSpace ainda não é o novo StarCraft. Pelo menos, não neste momento. Ainda assim, é uma das tentativas mais convincentes de ocupar esse espaço nos últimos anos.
O resultado é um RTS recomendado para fãs de partidas aceleradas e competitivas, desde que estejam dispostos a acompanhar um jogo que continuará crescendo, mudando e recebendo ajustes.



