Retrocon 2026 reúne lendas dos games em São Paulo
Evento recebeu Kevin Bayliss, atores de Mortal Kombat, influenciadores e fãs de videogames em uma programação repleta de arcades, consoles e lançamentos

Quem passou pela Retrocon 2026 encontrou muito mais do que uma exposição de videogames antigos. Realizado entre os dias 24 e 26 de julho, no Expo Center Transamérica, em São Paulo, o evento transformou a paixão pelos games em uma verdadeira viagem no tempo.
Consoles clássicos, máquinas de fliperama, jogos independentes e itens raros dividiram espaço com convidados internacionais e nomes conhecidos do público gamer. O resultado foi um encontro entre diferentes gerações, unidas pela mesma vontade de jogar, colecionar e relembrar.
Uma viagem direta para a infância
Para quem cresceu frequentando locadoras ou disputando partidas nos fliperamas, caminhar pela Retrocon foi como voltar algumas décadas no tempo.
Atari, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, Nintendo 64, Dreamcast, PlayStation e Neo Geo estavam entre os consoles disponíveis ao público. Alguns visitantes aproveitaram para reencontrar títulos que fizeram parte da infância. Outros tiveram o primeiro contato com aparelhos lançados muito antes de seu nascimento.
A faixa etária parecia ir dos 5 aos 70 anos, mas, diante de um videogame clássico, todo mundo voltava a ser criança. Além dos consoles, edições especiais, cartuchos, revistas, acessórios e outras raridades chamavam a atenção de colecionadores. O fascínio dos fãs pelos objetos mostrava que, para muita gente, o videogame também funciona como uma espécie de álbum de memórias.
Fliperamas voltam a roubar a cena
O som das máquinas, os controles robustos e as telas coloridas ajudaram a recriar o clima dos antigos salões de jogos.
Arcades originais e restaurados ficaram disponíveis para partidas durante o evento. Jogos de luta, corrida, tiro e pancadaria reuniram veteranos dos fliperamas e visitantes que nunca tinham colocado uma ficha em uma máquina.
Mais do que preservar os títulos, o espaço recuperou uma experiência que praticamente desapareceu: jogar ao lado de desconhecidos, formar uma roda em volta da máquina e esperar a vez de desafiar quem estava vencendo.
Kevin Bayliss encontra fãs brasileiros
Entre as principais atrações internacionais estava o artista britânico Kevin Bayliss, que participou pela primeira vez de um evento no Brasil.
Conhecido por seu trabalho na Rare, Bayliss ajudou a redesenhar Donkey Kong, criou Diddy Kong e participou da construção visual de personagens de franquias como Killer Instinct e Battletoads. Na Retrocon, o artista conversou com o público, participou de atividades no palco, distribuiu autógrafos e produziu desenhos para os fãs.
A presença do ilustrador foi especialmente marcante para quem acompanhou a fase iniciada por Donkey Kong Country, jogo que se tornou uma das grandes referências da era de 16 bits.
Atores de Mortal Kombat agitam o público
Os convidados ligados à franquia Mortal Kombat também estiveram entre os mais disputados da programação.
Daniel Pesina, Carlos Pesina, Anthony Marquez, e Paul Niemeyer, participaram de sessões de fotos e autógrafos, além de compartilharem histórias sobre as gravações dos jogos. Nos anos 1990, movimentos realizados por artistas reais foram digitalizados e transformados nos golpes dos personagens, ajudando a criar o visual que tornou a série mundialmente conhecida.
O encontro aproximou os fãs de quem ajudou a dar vida aos lutadores dos games e reforçou o lado histórico da Retrocon.
Influenciadores debatem futuro dos jogos físicos
Criadores de conteúdo e influenciadores do universo gamer, como BRKsEDU,Fiaspo e TheDarkness, também circularam pelo evento, participaram de encontros com fãs e discutiram mudanças importantes no mercado.
Um dos assuntos que ganhou força foi o futuro das mídias físicas. O debate voltou aos holofotes após a Sony anunciar que deixará de produzir discos para novos jogos lançados nos consoles PlayStation a partir de janeiro de 2028. Os títulos lançados em disco antes dessa data não serão afetados pela mudança.
Para colecionadores, a decisão aumenta as preocupações sobre preservação, propriedade e acesso aos jogos no futuro. Em um evento repleto de cartuchos, CDs, caixas e manuais, a discussão ganhou ainda mais significado.
Jogos novos para consoles antigos
Apesar de olhar para o passado, a Retrocon também apresentou novidades.
Desenvolvedores independentes mostraram projetos criados para plataformas como Mega Drive, Super Nintendo, Game Boy e Dreamcast. Mesmo décadas depois de saírem das lojas, esses consoles continuam recebendo títulos inéditos, cartuchos e edições físicas produzidas por pequenos estúdios.
A área indie também reuniu jogos que combinam gráficos e trilhas sonoras inspirados nos anos 1980 e 1990 com mecânicas mais modernas. O público pôde testar demonstrações, conversar diretamente com os desenvolvedores e acompanhar projetos ainda em produção.
Retrocon deixa lembranças
Participar da Retrocon foi uma experiência difícil de resumir apenas como nostalgia.
O evento conseguiu recuperar aquela sensação de descobrir os videogames pela primeira vez: observar uma tela, pegar o controle e tentar entender como aquele universo funcionava. A paixão dos visitantes, os consoles antigos e as edições especiais espalhadas pelos estandes ajudaram a completar essa atmosfera.
ARetrocon 2026 mostrou como os jogos de outras décadas continuam criando encontros, histórias e novas experiências. Entre crianças descobrindo clássicos e adultos reencontrando a própria infância, ficou a impressão de que os videogames antigos ainda têm muitas fases pela frente.



