Resenha: Marvel Tokon é luta 4v4 com DNA de jogos clássicos
Novo jogo de luta da Marvel aposta em combates 4v4, elenco recheado e a experiência da Arc System Works para conquistar fãs de Marvel vs. Capcom

Durante décadas, falar de Marvel nos jogos de luta inevitavelmente significou lembrar de Marvel vs. Capcom. A franquia da Capcom transformou encontros improváveis entre heróis, vilões e personagens dos videogames em batalhas frenéticas, cheias de assistências, trocas de lutadores e combos que pareciam não ter fim. Para muita gente, foi também por meio desses jogos que personagens dos quadrinhos ganharam uma nova dimensão nos videogames.
Marvel Tokon: Fighting Souls não tenta ser um novo Marvel vs. Capcom, e essa distinção é importante. Ainda assim, existe um pouco daquele DNA por aqui. As equipes, as assistências, o espetáculo visual e a sensação de colocar vários personagens da Marvel em uma mesma batalha despertam uma familiaridade imediata. A diferença é que a Arc System Works usa essa herança apenas como ponto de partida para construir algo com personalidade própria.
Marvel nas mãos de especialistas em jogos de luta
Responsável por séries como Guilty Gear e Dragon Ball FighterZ, a Arc System Works conhece bem o gênero. Em Marvel Tokon, o estúdio leva essa experiência para um sistema de batalhas em equipes de quatro personagens. São 20 lutadores disponíveis inicialmente, entre nomes como Homem-Aranha, Wolverine, Tempestade, Capitão América, Homem de Ferro, Hulk, Doutor Destino, Magneto, Deadpool e Blade.
O grande número de personagens dentro de uma mesma equipe pode assustar à primeira vista. Afinal, dominar um único lutador já exige dedicação em qualquer game do gênero. Aqui, porém, não é obrigatório conhecer profundamente os quatro integrantes do time para começar a se divertir.
É possível concentrar seu aprendizado em um personagem e utilizar os demais principalmente como assistências. Conforme o jogador ganha confiança, começa a explorar trocas, combinações e novas possibilidades. É justamente nesse processo que Tokon revela uma de suas maiores qualidades.
Aprender também faz parte da diversão
Marvel Tokon é relativamente simples de entender, mas bastante difícil de dominar. Há muitas camadas escondidas atrás dos ataques mais espetaculares. Saber quando chamar uma assistência, encontrar a melhor oportunidade para trocar de personagem e descobrir quais golpes funcionam juntos transforma cada equipe em um pequeno laboratório.
E o jogo entende que nem todo mundo chega sabendo montar combos enormes. Os treinamentos apresentam desafios específicos para cada personagem e, em alguns casos, funcionam quase como quebra-cabeças: o jogador recebe algumas condições e precisa descobrir sozinho como montar uma sequência que cumpra aquele objetivo.
Isso deixa o aprendizado menos parecido com uma aula e mais próximo de uma descoberta. Conseguir finalmente executar uma combinação que parecia impossível alguns minutos antes é extremamente satisfatório.
Para veteranos, existe profundidade suficiente para passar dezenas, provavelmente centenas, de horas estudando estratégias. Para quem não tem tanta intimidade com jogos de luta, a curva de aprendizado é maior, mas há espaço para evoluir sem precisar mergulhar imediatamente nas partidas ranqueadas.
Não quer jogar online? Tokon tem bastante conteúdo
Esse é outro ponto positivo. Marvel Tokon não trata os modos para um jogador apenas como complemento.
O Modo Episódio explora diferentes grupos de personagens e mistura batalhas com apresentações inspiradas nos quadrinhos. Há também treinamentos individuais, desafios, opções tradicionais de luta e um modo sobrevivência com elementos de roguelite, no qual cada vitória pode alterar as condições da próxima batalha.
Na prática, isso significa que existe bastante espaço simplesmente para escolher um personagem favorito e experimentar. E experimentar talvez seja a melhor palavra para definir Tokon.
Trocar a composição da equipe, testar um novo herói como personagem principal ou descobrir uma assistência inesperadamente eficiente faz parte da graça. O jogo constantemente incentiva aquela sensação de "só mais uma partida para testar isso".
No multiplayer, quando dois jogadores já compreendem as principais ferramentas do sistema, tudo fica ainda melhor. As lutas são rápidas, visualmente exageradas e repletas de decisões acontecendo em poucos segundos. É nesse momento que o combate da Arc System Works realmente mostra seu potencial competitivo.
O problema está no PC
Nem tudo, porém, chegou no mesmo nível de qualidade. A versão para PlayStation 5 teve uma estreia consideravelmente mais tranquila, enquanto o lançamento no PC foi marcado por reclamações relacionadas a desempenho, quedas de frame e problemas que também podiam afetar partidas online.
Atualizações já começaram a corrigir parte dessas falhas, incluindo ajustes no uso de CPU, detecção automática das configurações gráficas e problemas responsáveis por quedas repentinas de desempenho. Ainda assim, a versão para computador acabou deixando uma impressão inicial bem inferior àquela encontrada no console.
É uma situação especialmente frustrante porque os problemas técnicos escondem justamente aquilo que Marvel Tokon faz melhor: o combate.
Vale a pena jogar Marvel Tokon: Fighting Souls?
Sim, principalmente para quem sentia falta de ver a Marvel novamente em um jogo de luta ambicioso.
Marvel Tokon: Fighting Souls carrega parte daquele espírito dos jogos de equipe de Marvel Vs. Capcom, mas mistura essas referências à identidade que a Arc System Works construiu ao longo dos anos.
O resultado é um jogo bonito, exagerado, profundo e extremamente prazeroso de aprender. Há uma barreira inicial para jogadores menos acostumados ao gênero, mas também existem ferramentas e modos suficientes para que essa descoberta aconteça aos poucos.
A versão de PC impediu que o lançamento fosse completamente redondo, enquanto no PS5 a experiência se mostrou mais consistente. Tirando esse tropeço técnico, a base construída pela Arc System Works é excelente, e tem potencial para render anos de partidas, novos personagens e torneios.



