Review: RuneScape Dragonwilds surpreende com magia e sobrevivência

A clássica franquia de PC estreia nos consoles com uma aventura de sobrevivência, exploração e magia

V
Vinícius Gobira
Runescape consoles

Muito antes de os jogos online se tornarem parte do cotidiano de milhões de pessoas, RuneScape já conquistava seu espaço nos computadores. Lançado em 2001, o MMORPG da Jagex se tornou um fenômeno ao permitir que jogadores explorassem um enorme mundo de fantasia diretamente pelo navegador, sem a necessidade de um computador extremamente potente.

Com sua proposta de mundo aberto, evolução de habilidades, profissões e interação entre jogadores, a franquia construiu uma comunidade que atravessou gerações. Em seus 25 anos de história, RuneScape ultrapassou a marca de 300 milhões de contas criadas e se consolidou como um dos nomes mais conhecidos dos RPGs online.

Agora, a Jagex aposta em uma experiência diferente. Lançado oficialmente em 15 de setembro de 2026 para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, RuneScape: Dragonwilds marca a chegada da franquia aos consoles. Em vez de repetir a fórmula tradicional do MMORPG, o jogo mistura elementos de RPG com mecânicas de sobrevivência, construção de bases e exploração.

Mas será que essa mudança funciona? Jogamos a versão de PlayStation 5 para conhecer o continente de Ashenfall, graças a uma cópia cedida gentilmente pela MKTR Agency para Jagex.

Uma nova terra para explorar e sobreviver

Em RuneScape: Dragonwilds, o jogador desembarca em Ashenfall, um continente até então inexplorado dentro do universo da franquia. O território é marcado pelo despertar dos dragões e por uma misteriosa força mágica conhecida como Anima, responsável por transformar a região em um ambiente repleto de perigos.

Nossa jornada começa com a criação de um personagem, que pode ser personalizado antes de dar os primeiros passos nesse mundo. O editor cumpre sua função, embora ofereça opções relativamente limitadas para quem gosta de passar bastante tempo criando o protagonista.

A partir daí, o jogo apresenta suas principais mecânicas por meio das missões iniciais. Elas funcionam como uma introdução aos sistemas de sobrevivência, mas não obrigam o jogador a seguir um caminho específico.

Essa liberdade é um dos grandes atrativos de Dragonwilds. É possível deixar os objetivos principais de lado para explorar regiões desconhecidas, reunir materiais, construir abrigos ou simplesmente descobrir o que existe além da próxima floresta.

Evoluir é uma das partes mais divertidas

O sistema de progressão é um dos elementos que mais chamam a atenção em RuneScape: Dragonwilds. Em vez de depender exclusivamente de pontos de experiência conquistados ao derrotar inimigos, nossas habilidades evoluem conforme são utilizadas.

Cortar árvores aumenta o domínio da atividade. Minerar, pescar, cultivar alimentos e correr também contribuem para o desenvolvimento do personagem. Quanto mais realizamos essas tarefas, mais eficientes nos tornamos.

O que inicialmente parece um trabalho repetitivo ganha outra dimensão quando começamos a desbloquear novas habilidades mágicas. Cortar árvores, por exemplo, deixa de depender apenas dos golpes de um machado quando conseguimos invocar uma enorme lâmina mágica capaz de derrubar várias de uma vez.

Construir uma base pode salvar sua aventura

Sobreviver em Ashenfall não depende apenas de derrotar inimigos. É preciso encontrar água, preparar alimentos, fabricar equipamentos e estabelecer lugares seguros para descansar.

A construção de bases acaba se tornando uma parte fundamental da jornada. Podemos estabelecer pontos estratégicos pelo mapa, instalar estruturas de fabricação e organizar os recursos necessários para continuar explorando.

É um sistema que recompensa o planejamento. Quanto mais preparados estamos para explorar uma região, menores são as chances de perder tempo repetindo longos trajetos depois de uma derrota.

Combate, magia e dragões: nem tudo é perfeito

O combate de Dragonwilds oferece diferentes possibilidades. Podemos utilizar armas de curta distância para confrontos corpo a corpo ou apostar em cajados e varinhas para atacar os inimigos com magia.

Embora os confrontos funcionem, a movimentação e as animações parecem rígidas. O sistema de combate cumpre seu papel, mas não apresenta a mesma fluidez encontrada em outros jogos de ação e RPG.

Por outro lado, a magia é um dos elementos que dão identidade ao jogo. Além dos feitiços ofensivos, os poderes também ajudam na exploração, na coleta de materiais e na construção. É interessante perceber como o domínio dessas habilidades modifica nossa maneira de interagir com o mundo.

Os dragões, naturalmente, são um dos grandes atrativos da aventura. Eles podem ser encontrados durante a exploração e representam ameaças que exigem preparação e equipamentos adequados. Enfrentá-los envolve reunir materiais, fabricar itens específicos e desenvolver nossas habilidades.

O mundo também reserva outros perigos, como criaturas capazes de envenenar nosso personagem, armadilhas escondidas e fenômenos climáticos que podem surpreender até os aventureiros mais preparados.

Gráficos e desempenho: como o jogo se comporta nos consoles?

RuneScape: Dragonwilds utiliza a Unreal Engine 5 para dar vida ao continente de Ashenfall, com florestas, pântanos, montanhas e outras regiões que ajudam a construir a atmosfera de fantasia da aventura.

O mundo apresenta cenários variados, e a direção artística contribui para despertar a curiosidade durante a exploração. Afinal, boa parte da diversão está justamente em descobrir o que existe depois da próxima montanha ou no interior de uma caverna.

O PlayStation 5 é uma plataforma interessante para aproveitar essa proposta, especialmente para quem pretende passar muitas horas explorando. Durante minha jogatina encontrei alguns problemas de desempenho, resolução e queda de quadros. Ainda assim, acredito que a versão de PS5 esteja muito melhor do que a de Switch 2, por exemplo, onde os jogadores relataram diversos problemas.

RuneScape: Dragonwilds vale a pena?

RuneScape: Dragonwilds consegue transformar algumas das características mais marcantes da franquia em uma experiência de sobrevivência que recompensa a dedicação do jogador.

O sistema de evolução é um de seus maiores atrativos. A sensação de começar praticamente indefeso, coletando madeira e tentando sobreviver, até se tornar um aventureiro capaz de dominar habilidades mágicas poderosas ajuda a manter o interesse durante dezenas de horas.

A exploração, a construção de bases e a liberdade para desenvolver nossa própria jornada também contribuem para a diversão. O jogo consegue oferecer uma aventura completa tanto para quem pretende enfrentar Ashenfall sozinho quanto para quem prefere compartilhar a experiência com amigos.

Isso não significa que tudo funcione perfeitamente. O combate poderia apresentar movimentos mais refinados, algumas atividades são repetitivas durante as primeiras horas e a curva de aprendizado pode gerar momentos de frustração.

Apesar desses problemas, há bastante conteúdo para explorar. Conforme avançamos, desbloqueamos novas possibilidades e descobrimos regiões que tornam a experiência cada vez mais interessante.

Para quem cresceu jogando RuneScape no computador, Dragonwilds representa uma oportunidade de revisitar esse universo sob uma perspectiva diferente.

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