Review: EA Sports FC 27 traz novidades, mas os mesmos problemas
EA Sports FC 27 apresenta avanços importantes, mas bugs frustrantes e a sensação de que a franquia poderia entregar mais comprometem a experiência

EA Sports FC 27 chega com a missão de mostrar que a franquia ainda tem espaço para inovar. Depois da mudança de nome, a EA Sports continua apostando em atualizações pontuais de sua principal série de futebol, mas desta vez temos novidades mais expressivas. A chegada do The Grounds, as mudanças no Ultimate Team e os aprimoramentos do Modo Carreira ajudam a dar um novo fôlego ao jogo.
Mas será que tudo isso é suficiente para justificar mais uma edição anual?
Testei o título graças a uma chave de acesso cedida gentilmente pela EA. Depois de mais de 40 horas de gameplay, minha resposta é que o FC 27 continua sendo um bom jogo de futebol, especialmente para quem já acompanha a franquia. Ao mesmo tempo, é difícil ignorar a sensação de que a EA poderia entregar um produto muito mais refinado, considerando sua estrutura e o espaço que ocupa no mercado.
Talvez este seja o FC mais inovador desde que a franquia abandonou o nome FIFA. Isso, porém, não significa que todas as novidades funcionem tão bem quanto deveriam.
The Grounds é a grande novidade, mas perde força com o tempo
A principal novidade do FC 27 é o The Grounds, um ambiente social que reúne partidas de futebol em diferentes formatos e incorpora a experiência do Clubs. A proposta é interessante: oferecer um espaço no qual os jogadores possam construir sua identidade, encontrar amigos e participar de atividades que vão além das tradicionais partidas de futebol.
O modo apresenta três distritos inspirados em diferentes culturas futebolísticas. Montclair representa o futebol urbano francês, Zeiza traz a paixão argentina e Parkside é inspirado na tradição do futebol da classe trabalhadora britânica. A ideia é transformar o futebol em uma experiência mais social, com espaços para explorar e diferentes maneiras de entrar em campo.

Na prática, as partidas de 1x1, 2x2 e 3x3, além do Rush, são algumas das atividades mais divertidas. Os confrontos em equipes reduzidas oferecem uma dinâmica diferente das partidas tradicionais, especialmente quando jogamos com amigos. A integração com o Clubs também amplia as possibilidades de competição e desenvolvimento dos atletas.
O problema é que o entusiasmo inicial não dura tanto. Depois de algumas dezenas de horas, o The Grounds começa a perder parte do seu encanto. Embora tenha atividades divertidas, a novidade deixa de ser tão atraente com o passar do tempo, e a experiência acaba se tornando mais repetitiva do que eu gostaria.
Ainda assim, é uma adição importante para a franquia e uma das iniciativas mais interessantes da EA nos últimos anos. O desafio agora é fazer com que o modo consiga manter os jogadores engajados por muito mais tempo.
Ultimate Team evolui, mas a monetização continua em evidência
O Ultimate Team continua sendo um dos principais pilares de EA Sports FC 27. A grande novidade desta edição é a Galeria do FUT, que oferece uma nova maneira de progredir dentro do modo, sem depender exclusivamente dos resultados das partidas.
Com ela, os jogadores podem colecionar e organizar conjuntos de cartas de atletas de diferentes clubes, ligas e campanhas. Ao completar essas coleções, é possível aumentar o nível da Galeria e desbloquear recompensas. É uma novidade que acrescenta mais objetivos para quem gosta de montar seu time e acompanhar a evolução do clube.

Outra mudança está nas cartas especiais. As variantes holográficas e os itens que homenageiam jogadores históricos dão um novo apelo visual às coleções. As cartas especiais com assinaturas de ídolos também reforçam a ideia de possuir itens exclusivos.
Por outro lado, essas novidades deixam ainda mais evidente a estratégia de monetização da EA. A raridade e a exclusividade de determinados itens despertam o desejo dos jogadores e podem elevar consideravelmente seu valor dentro do mercado do Ultimate Team.
É justamente nesse ponto que fica a impressão de que a EA continua encontrando maneiras de tornar o modo mais atraente para quem está disposto a investir tempo e/ou dinheiro na busca pelas cartas mais desejadas.
Gameplay melhora, especialmente para quem joga offline
Se existe um aspecto no qual FC 27 apresenta avanços positivos, é na jogabilidade, principalmente nas partidas offline.
A EA implementou novidades para tornar o futebol mais fluido e responsivo. Entre elas estão as corridas em curva, melhorias na movimentação, dribles que preservam o equilíbrio dos atletas após o contato físico, mudanças nas bolas paradas e um novo sistema de disputas aéreas.
Esses ajustes procuram oferecer maior controle e variedade dentro das quatro linhas. A Jogabilidade Autêntica 2.0 também busca tornar as partidas menos previsíveis, levando em consideração as características individuais dos atletas e as adaptações táticas dos adversários.

É especialmente nos modos offline que essas novidades encontram espaço para funcionar. A experiência se beneficia de partidas com maior variedade, nas quais é possível aproveitar as diferenças entre as equipes e explorar outras estratégias.
São melhorias que tornam a experiência mais interessante para quem gosta de simplesmente entrar em campo e jogar futebol.
E talvez seja justamente isso que mantenha a franquia tão atraente. Mesmo com seus problemas, FC 27 ainda consegue entregar momentos divertidos dentro das quatro linhas.
Modo Carreira está mais robusto e valoriza a gestão do elenco
O Modo Carreira é um dos destaques desta edição, principalmente para quem prefere uma experiência offline e gosta de construir uma equipe ao longo de várias temporadas.
Uma das principais mudanças está no Mercado de Transferências, que foi reconstruído com melhorias desenvolvidas a partir do TransferRoom. O sistema introduz valores dinâmicos, negociações mais aprofundadas e clubes adversários que apresentam maior capacidade de resposta durante as negociações.
Mas a novidade que mais me chamou a atenção foi a introdução do Overall Dinâmico e do Potencial Dinâmico. Agora, fatores como condicionamento físico, moral, desempenho e momento dos atletas podem influenciar suas avaliações e seu desenvolvimento.
Em vez de depender sempre dos atletas com as maiores notas, existe um incentivo maior para observar quem está em boa fase e fazer mudanças na equipe. É uma adição que valoriza o rodízio do elenco e torna a administração do time mais interessante ao longo das temporadas.

O jogo também apresenta os Desafios de Criação de Manager ao Vivo, que permitem criar e compartilhar cenários personalizados. Já a Carreira de Atleta ganha novas Rivalidades, capazes de criar disputas pela titularidade e por conquistas individuais.
Com essas mudanças, o Modo Carreira se torna uma alternativa ainda mais atraente para o jogador casual que quer montar seu próprio time, acompanhar o crescimento dos atletas e criar suas histórias dentro do futebol.
Entre todas as novidades de FC 27, é uma das áreas em que vejo maior potencial para continuar jogando por bastante tempo.
Bugs transformam boas partidas em momentos de frustração
É impossível falar da minha experiência com EA Sports FC 27 sem destacar os problemas técnicos que encontrei. E alguns deles foram responsáveis pelos momentos mais frustrantes de todas as minhas horas de gameplay.
Sabemos que lançamentos de jogos costumam apresentar bugs, especialmente títulos com tantos modos e sistemas diferentes. Também é natural que atualizações corrijam problemas enquanto outros acabam surgindo. Entretanto, algumas das falhas que encontrei tiveram um impacto direto na experiência.
Durante vários dias, sofri com um bug que simplesmente me impedia de tocar a bola utilizando o botão X. Em vez de executar o passe, meu jogador realizava o comando de levantar a bola, normalmente atribuído ao analógico direito.
Imagine estar no meio de uma partida, construir uma jogada e, no momento de realizar um passe simples, o jogador executar um movimento completamente diferente. Agora imagine isso acontecendo repetidamente, em várias partidas.
Foi exatamente o que enfrentei. O problema prejudicou meu desempenho e transformou horas que deveriam ser de diversão em momentos de irritação. Certamente perdi algumas horas de gameplay com raiva e, provavelmente, algumas horas de vida também.
Outro bug que encontrei e que ainda persistia durante meu período de análise estava nos menus do The Grounds. Ao acessar a área de objetivos, o jogo entrava em uma tela de recompensas da temporada da qual simplesmente não era possível sair.
A única solução era fechar completamente o jogo e abri-lo novamente.
São problemas que vão além de pequenos defeitos visuais. Estamos falando de falhas que interferem diretamente na jogabilidade e impedem o usuário de aproveitar o produto.
É difícil aceitar esse nível de instabilidade em uma franquia anual tão consolidada, especialmente considerando o tamanho e os recursos da Electronic Arts. O mínimo esperado é que os comandos básicos funcionem corretamente e que seja possível navegar pelos menus sem precisar reiniciar o jogo.

A falta de concorrência pode estar acomodando a EA?
Uma das sensações que mais me acompanharam durante esta análise foi a de que EA Sports FC 27 poderia ser um jogo muito melhor.
A franquia continua oferecendo uma experiência competente de futebol. Existem boas novidades, modos interessantes e melhorias que realmente fazem diferença. Porém, falta aquele refinamento que esperaríamos de uma produção desse porte.
Talvez a ausência de uma concorrência mais forte ajude a explicar essa situação. Com uma posição tão consolidada no mercado, a EA não parece enfrentar a mesma pressão que teria caso os jogadores contassem com outras alternativas capazes de disputar diretamente sua atenção.
Isso não significa que a desenvolvedora tenha deixado de inovar. Pelo contrário, FC 27 provavelmente é a edição que apresenta as mudanças mais expressivas desde a transição de FIFA para EA Sports FC.
A questão é que inovar não deveria significar deixar de lado a qualidade daquilo que já existe.
Não adianta apresentar um novo ambiente social, ampliar as possibilidades do Ultimate Team e reformular sistemas do Modo Carreira se problemas básicos continuam comprometendo a experiência dentro e fora dos gramados.
E é essa contradição que define boa parte de FC 27: um jogo que demonstra capacidade para evoluir, mas que ainda parece distante de alcançar todo o seu potencial.

Veredito: EA Sports FC 27 vale a pena?
Depois de mais de 40 horas de gameplay, EA Sports FC 27 continua sendo um jogo que quero jogar. Talvez esse seja o maior retrato da relação que muitos fãs de futebol e videogames têm com a franquia: mesmo conhecendo seus problemas, é difícil resistir à vontade de disputar mais uma partida, contratar aquele jogador ou começar uma nova temporada.
EA Sports FC 27 é uma recomendação principalmente para quem já acompanha a franquia ou para aquele jogador que, mais cedo ou mais tarde, acaba comprando o jogo de futebol do ano.
O The Grounds proporciona bons momentos, o Ultimate Team recebe novidades bem-vindas e o Modo Carreira oferece razões para continuar investindo horas na construção de uma equipe. São melhorias que ajudam a justificar a existência desta edição e demonstram que a franquia ainda tem espaço para crescer.
No entanto, os bugs que encontrei prejudicaram bastante minha experiência. É frustrante perceber que um jogo com tantas possibilidades ainda apresenta falhas capazes de comprometer ações tão simples quanto realizar um passe.
No fim das contas, FC 27 entrega aquilo que procuramos: um jogo competente de futebol, capaz de divertir e de nos manter jogando por dezenas de horas.
O problema é saber que, com a estrutura que tem, a EA poderia entregar muito mais.



