Review: Gears of War: E-Day é brutal e campanha impressiona
Gears of War: E-Day mostra como a The Coalition retorna ao início da guerra com combate visceral, gráficos impressionantes e uma campanha intensa

Poucas franquias estão tão intimamente ligadas à história do Xbox quanto Gears of War. Nascida em 2006 pelas mãos da Epic Games, a série ajudou a definir a identidade do Xbox 360 e, de quebra, popularizou uma abordagem de combate em terceira pessoa que seria replicada inúmeras vezes nos anos seguintes. Armas pesadas, movimentação entre coberturas e confrontos extremamente violentos se tornaram algumas de suas principais características, enquanto nomes como Marcus Fenix e Dominic Santiago passaram a ocupar um lugar de destaque entre os personagens mais reconhecíveis da marca.
A história acontece em Sera, um planeta habitado por humanos que, apesar de possuirem algumas semelhanças com o nosso mundo, desenvolveram sua própria sociedade, arquitetura e tecnologia. É justamente essa identidade que faz suas cidades parecerem simultaneamente familiares e estranhas, misturando construções monumentais, elementos industriais e tecnologia militar em uma estética bastante particular.
Muito antes dos acontecimentos que deram origem à série, Sera já carregava as cicatrizes de conflitos entre seus habitantes. Porém, tudo mudaria definitivamente com o chamado Emergence Day, ou simplesmente E-Day: o momento em que criaturas conhecidas como Locust emergiram do subterrâneo e iniciaram um ataque em larga escala contra a humanidade.
É nesse cenário que entra a Coalizão dos Governos Ordenados, a COG, organização política e militar responsável por boa parte da resistência humana. Seus soldados são conhecidos como Gears, e é entre eles que encontramos personagens que acompanhariam a franquia por diferentes gerações.
Depois de vários jogos explorando as consequências dessa guerra e até aquilo que veio depois dela, Gears of War: E-Day decide fazer o caminho contrário. Em vez de continuar avançando a cronologia, a The Coalition retorna ao acontecimento que dá nome ao jogo para mostrar o início do pesadelo, quando os Locust ainda eram uma ameaça desconhecida e Marcus Fenix e Dom Santiago ainda estavam longe de se tornarem as figuras que os fãs conheceriam posteriormente.
E existe algo particularmente interessante em começar minha jornada por Gears justamente aqui. E-Day foi meu primeiro contato de verdade com a franquia. Sem nostalgia pelos jogos anteriores e sem décadas de convivência com Marcus e companhia, cheguei a Sera praticamente tão alheio à ameaça Locust quanto boa parte de seus habitantes.
Talvez por isso, começar pelo fim do mundo tenha sido uma maneira bastante apropriada de conhecer Gears of War.
Antes de mergulharmos em Sera, vale um recado importante: esta análise será dedicada exclusivamente à campanha de Gears of War: E-Day. O jogo também conta com experiências multiplayer, mas elas ficam de fora do nosso veredito. Aqui, nosso foco está na jornada de Marcus e Dom e em tudo o que a The Coalition preparou para contar os primeiros momentos dessa guerra. Agradecemos ao Xbox pelo envio antecipado do jogo para análise no SBT Games, que nos permitiu conhecer essa história antes de seu lançamento. Com as apresentações feitas, hora de pegar a Lancer, procurar a cobertura mais próxima e descobrir se esse retorno ao início consegue fazer jus ao peso de Gears of War.
O E-Day
Uma das primeiras coisas que Gears of War: E-Day faz muito bem é não perder tempo demais antes de colocar o jogador no centro do conflito. A campanha começa de maneira relativamente linear, apresentando seus personagens, as mecânicas fundamentais de combate e, principalmente, um mundo que rapidamente começa a desmoronar diante de algo que ninguém parece compreender por completo.
Para alguém que, como eu, está tendo seu primeiro contato com Gears of War, essa abordagem funciona especialmente bem. E-Day não exige que você conheça décadas de história da franquia para entender o que está acontecendo. Sabemos essencialmente aquilo que os próprios personagens sabem naquele momento: criaturas surgiram do subterrâneo, estão atacando as cidades de Sera e existe uma força militar tentando conter uma situação que rapidamente foge de qualquer controle. O restante vai sendo apresentado naturalmente conforme avançamos.
E talvez um dos maiores acertos dessas primeiras horas seja justamente os cenários. Existe algo familiar nas cidades, mas ao mesmo tempo fica evidente que não estamos na Terra. A arquitetura monumental, a tecnologia, os veículos e toda a organização daquele mundo possuem uma identidade visual muito própria. O resultado é um cenário que desperta curiosidade sem interromper constantemente a aventura para explicar como tudo funciona.
Essa sensação também se estende aos Locust. Em um primeiro momento, eles parecem apenas criaturas monstruosas emergindo das profundezas, mas rapidamente percebemos que estamos diante de algo muito mais organizado. Eles utilizam armas, equipamentos e estratégias, possuem diferentes tipos de combatentes e demonstram existir hierarquia entre eles. Conforme novas criaturas são apresentadas, a dimensão da ameaça também começa a crescer.
O ritmo da campanha de E-Day me conquistou já durante essas primeiras horas. Existe uma cadência muito boa entre exploração, diálogos e combate, com o jogo constantemente colocando alguma coisa nova no caminho. Mesmo quando a campanha começa a oferecer áreas um pouco mais abertas e algumas atividades opcionais, sua estrutura permanece bastante direcionada. Existe espaço para procurar recursos e sair brevemente do caminho principal, mas nunca a sensação de estar diante de um mundo aberto cheio de distrações.
Entre tiros e ruínas
Se existe um elemento que rapidamente se torna o coração de Gears of War: E-Day, é o combate. O tradicional sistema de cobertura determina boa parte do ritmo dos confrontos, fazendo com que paredes, barricadas e diferentes elementos espalhados pelo cenário sejam mais do que simples proteção: são ferramentas essenciais para avançar por Kalona.
E-Day incentiva constantemente o jogador a ler o campo de batalha. Ficar protegido é importante, mas dificilmente suficiente. Os Locust avançam, pressionam o esquadrão e obrigam mudanças frequentes de posição, enquanto diferentes tipos de inimigos exigem abordagens distintas. Tudo isso acontece em um combate que transmite bastante peso, seja na movimentação dos personagens, no impacto dos disparos ou na brutalidade das finalizações.
O arsenal também contribui para essa dinâmica. É possível carregar três armas, além de um equipamento arremessável, alternando entre opções para diferentes distâncias e situações. Algumas armas também podem receber melhorias durante a campanha, adicionando uma camada de progressão sem transformar a experiência em uma sucessão de números e árvores de habilidades. O foco permanece na ação, e atirar em E-Day é extremamente satisfatório.
No PC, também alternei entre controle e mouse e teclado. As duas opções funcionam bem, mas foi com mouse e teclado que o gunplay mais me agradou. A precisão adicional da mira torna os disparos ainda mais satisfatórios e permite uma abordagem mais agressiva durante determinados confrontos.
E não dá para falar do combate sem destacar Kalona. A cidade não funciona apenas como pano de fundo para a invasão: ruas, prédios, corredores e estruturas destruídas são utilizados para construir arenas nas quais posicionamento e cobertura realmente importam. Conforme a campanha avança, também acompanhamos a transformação da cidade pelo E-Day, reforçando visualmente a dimensão do desastre.
É nessa combinação entre cobertura, movimentação, arsenal e construção dos cenários que o combate encontra sua força. Existe estratégia suficiente para fazer cada arena exigir atenção, mas sem comprometer aquilo que parece ser a prioridade de E-Day: entregar confrontos intensos, pesados e, acima de tudo, extremamente viscerais.
Um espetáculo em meio ao caos
Visualmente, Gears of War: E-Day é impressionante. Kalona é construída com um nível de detalhes que chama atenção desde os primeiros momentos. Há um cuidado evidente em fazer aquele lugar parecer uma cidade de verdade antes e durante sua transformação em um campo de guerra.
A iluminação merece destaque especial. Ambientes internos trabalham muito bem com áreas de luz e sombra, enquanto os espaços externos aproveitam fumaça, partículas, fogo e destruição para criar cenas que frequentemente parecem cuidadosamente compostas. E-Day sabe ser bonito quando precisa, mas sua direção visual parece ainda mais interessada em transmitir peso, sujeira e destruição.
Os próprios personagens e Locust acompanham esse nível de qualidade. Modelos, materiais, animações e expressões possuem ótimo acabamento, enquanto o gore reforça a natureza visceral dos confrontos. Sangue, impactos e finalizações não estão ali apenas pelo exagero. Eles ajudam a vender a brutalidade de uma guerra na qual praticamente tudo parece capaz de matar alguém da pior maneira possível.
Durante a campanha não encontrei problemas que prejudicassem significativamente a jogatina, e o conjunto técnico se mostrou muito bem polido. Naturalmente, o desempenho pode variar dependendo do hardware e das configurações utilizadas, mas, nas condições em que realizei esta análise, E-Day entregou uma experiência consistente.
O trabalho sonoro acompanha a qualidade visual. As armas soam pesadas, explosões possuem impacto e os diferentes ruídos dos Locust ajudam não apenas na atmosfera, mas também na leitura dos confrontos. Em vários momentos é possível perceber a intensidade de uma batalha antes mesmo de enxergar tudo o que está acontecendo, com tiros, gritos e criaturas compondo um cenário sonoro propositalmente caótico.
A trilha sonora, por sua vez, sabe ocupar seu espaço sem disputar constantemente a atenção com a ação. Ela cresce nos momentos de maior tensão e recua quando diálogos e ambientação precisam assumir o protagonismo. Somado ao trabalho de vozes e aos diálogos que acontecem naturalmente enquanto o esquadrão atravessa Kalona, o áudio ajuda a sustentar a sensação de estar no meio de uma cidade enfrentando seus primeiros momentos de uma guerra.
E-Day impressiona tecnicamente, mas seu maior mérito talvez seja utilizar toda essa tecnologia a serviço da atmosfera. Kalona é uma cidade grandiosa e bonita apesar de estar desmoronando. Muitas vezes, é justamente a escala dessa destruição que produz algumas das imagens mais marcantes da campanha.
Veredito
Gears of War: E-Day é uma campanha fácil de recomendar. A The Coalition entrega uma experiência intensa, visualmente impressionante e, principalmente, divertida de jogar. O combate baseado em coberturas continua sendo o grande protagonista, sustentado por um arsenal satisfatório, confrontos viscerais e uma campanha que mantém um ótimo ritmo durante sua jornada por Kalona.
Mas talvez o maior elogio que eu possa fazer a E-Day seja bastante simples: quando os créditos chegaram, eu queria mais Gears of War. O jogo despertou minha curiosidade não apenas pelo que pode acontecer depois, mas pelos títulos que construíram essa franquia ao longo de tantos anos. Existe uma identidade muito forte aqui, presente no combate, nos personagens, na brutalidade e até na maneira como esse universo retrata uma humanidade tentando sobreviver ao impossível.
Depois de acompanhar Marcus, Dom e companhia durante os primeiros momentos dessa guerra, fica muito mais fácil compreender por que Gears conquistou uma legião de fãs. E-Day consegue carregar o peso dessa história sem depender exclusivamente da nostalgia para funcionar.
Além da experiência solo, Gears of War: E-Day também permite jogar sua campanha de forma cooperativa, mantendo uma das tradições da franquia. O pacote ainda conta com opções multiplayer, incluindo o competitivo Versus e modos cooperativos contra os Locust
Gears of War: E-Day será lançado oficialmente em 6 de outubro de 2026 para Xbox Series X|S e PC, com versões disponíveis pelo aplicativo Xbox e pela Steam. O título também conta com suporte ao Xbox Play Anywhere e estará disponível desde o primeiro dia no Game Pass Ultimate e PC Game Pass. Já quem adquiriu a Premium Edition poderá começar a jogar antecipadamente em 1º de outubro.



