Kingdom Hearts Collection [I-III] é a porta de entrada ideal

Coletânea reúne grande parte da história de Sora e chega em boa hora para preparar novos jogadores para Kingdom Hearts IV

V
Vinícius Gobira
KH Collection review

Poucas franquias conseguiram transformar uma combinação tão improvável em algo tão reconhecível quanto Kingdom Hearts. O encontro entre a fantasia da Square Enix e personagens da Disney poderia ter terminado como uma simples curiosidade, mas cresceu até formar uma das séries de RPG de ação mais particulares dos videogames.

Sora, Donald, Pateta, Mickey, mundos da Disney, personagens originais, Keyblades e uma mitologia que foi se tornando cada vez maior construíram uma comunidade que acompanha a franquia há mais de duas décadas. E essa história está longe de acabar.

Kingdom Hearts IV está previsto para o fim de 2027 e será responsável por levar a série para sua próxima grande etapa. Antes disso, porém, existe um pequeno problema para quem sempre olhou Kingdom Hearts de longe: por onde começar?

É justamente aí que Kingdom Hearts Collection [I-III] mostra seu maior valor.

A coletânea chega reunindo Kingdom Hearts HD 1.5+2.5 ReMIX, Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue e Kingdom Hearts III + Re Mind. Mais importante do que simplesmente colocar vários títulos no mesmo pacote, ela oferece uma maneira muito mais prática de acompanhar uma saga que, durante anos, esteve espalhada por diferentes jogos e plataformas.

E, depois de experimentar os títulos presentes na coleção no Nintendo Switch 2, a impressão é bastante clara: talvez esta seja uma das maneiras mais convenientes de começar a entender por que Kingdom Hearts continua tão relevante.

Uma saga enorme reunida em um único lugar

O nome Kingdom Hearts Collection [I-III] pode passar a impressão de que estamos falando apenas dos três capítulos numerados. Na prática, há muito mais conteúdo envolvido.

A coleção reúne jogos como Kingdom Hearts Final Mix, Re of Memories, Kingdom Hearts II Final Mix, Birth by Sleep Final Mix, Dream Drop Distance HD e 0.2 Birth by Sleep - A fragmentary passage, além de Kingdom Hearts III e sua expansão Re Mind.

Também estão presentes versões cinematográficas de algumas histórias. Ou seja, nem tudo que aparece no menu é um jogo completo controlável, uma distinção importante para quem está pensando em comprar o pacote.

Não é mais necessário procurar capítulos em diferentes plataformas para acompanhar boa parte da história de Sora. A coleção cria uma espécie de grande arquivo da franquia e organiza em um mesmo ecossistema aventuras lançadas originalmente em momentos muito diferentes da indústria.

Uma porta de entrada para Kingdom Hearts

Kingdom Hearts começa com uma premissa relativamente fácil de entender. Sora acaba separado dos amigos Riku e Kairi e parte em uma jornada ao lado de Donald e Pateta enquanto tenta encontrá-los.

A partir daí, entram em cena mundos da Disney, os Heartless, a Keyblade e uma história que cresce consideravelmente conforme novos jogos são adicionados.

É também aqui que surge uma das características mais famosas da franquia: sua narrativa pode ficar complicada. Existem personagens, organizações, memórias, identidades e acontecimentos apresentados em diferentes capítulos. Algumas informações importantes sequer estão nos jogos numerados.

Ter tudo isso mais próximo dentro de uma mesma coleção remove uma barreira importante.

Jogos de épocas diferentes

Também é importante entender exatamente o que está sendo oferecido.

Kingdom Hearts Collection [I-III] não reconstrói todos os jogos para que eles pareçam lançamentos atuais. Estamos falando de títulos criados em épocas diferentes e isso continua perceptível tanto na apresentação quanto na jogabilidade.

Durante meus testes, passei pelas diferentes experiências disponíveis na coleção, mas ainda não concluí as campanhas. Por isso, esta análise não pretende avaliar profundamente o desenvolvimento narrativo, balanceamento ou evolução completa de cada título individualmente.

O objetivo aqui foi entender principalmente como esse conjunto funciona como coleção e como essas experiências chegam ao Nintendo Switch 2, console em que pude testar o jogo graças a uma chave de acesso cedida pelo time da Square Enix.

E é interessante perceber a evolução da franquia apenas alternando entre alguns dos jogos.

O primeiro Kingdom Hearts entrega uma movimentação e uma estrutura claramente mais antigas. Kingdom Hearts II já apresenta combates mais rápidos, enquanto Birth by Sleep, Dream Drop Distance e os capítulos posteriores experimentam novas maneiras de movimentação e batalha.

Quando chegamos a Kingdom Hearts III, a diferença de geração se torna ainda mais evidente.

Finalmente Kingdom Hearts de forma nativa na Nintendo

Talvez a mudança mais relevante esteja justamente na plataforma.

No primeiro Nintendo Switch, os principais jogos da saga chegaram por meio de versões em nuvem. No Switch 2, os títulos desta coleção possuem versões nativas, executadas diretamente no console.

Kingdom Hearts é uma franquia gigantesca, formada por dezenas e dezenas de horas de aventura. Ter essa biblioteca disponível diretamente no hardware torna a proposta muito mais atraente para quem pretende realmente avançar pela saga.

Durante meus testes no Nintendo Switch 2 em modo dock, a experiência foi confortável. Não encontrei bugs ou problemas técnicos relevantes durante as sessões que joguei.

Isso não significa que seja possível garantir que todos os títulos funcionem perfeitamente durante suas campanhas completas, já que não percorri cada jogo até o fim. Dentro do período testado, porém, não houve nada que prejudicasse a experiência.

Uma ausência importante para o público brasileiro

Existe, porém, uma barreira relevante para quem pretende acompanhar toda essa história: a ausência de português do Brasil. Em uma franquia bastante dependente de diálogos e conceitos narrativos, isso pesa.

Kingdom Hearts pode exigir atenção até mesmo de quem acompanha perfeitamente o idioma escolhido. Para jogadores que dependem de localização em português, compreender as nuances dessa enorme história pode ser consideravelmente mais difícil.

É uma ausência especialmente sentida em uma coleção que poderia funcionar justamente como a grande porta de entrada para uma nova geração de jogadores.

Vale a pena Kingdom Hearts Collection [I-III]?

Kingdom Hearts Collection [I-III] reúne uma quantidade enorme da história de Kingdom Hearts em um mesmo pacote, organiza diferentes períodos da saga e finalmente disponibiliza essas aventuras de maneira nativa no atual console da Nintendo.

Com Kingdom Hearts IV previsto para o fim de 2027, existe tempo para descobrir quem é Sora, entender por que Riku e Kairi são tão importantes, viajar por diferentes mundos da Disney e começar a montar o quebra-cabeça gigantesco criado pela Square Enix.

Ainda tenho muitas horas pela frente antes de concluir todas essas aventuras. Mas, pelo que experimentei até agora, o grande mérito de Kingdom Hearts Collection [I-III] já está bastante evidente.

Kingdom Hearts Collection [I-III] será lançado em 8 de outubro de 2026 para Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

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