Flamengo perde nos pênaltis e dá adeus à Libertadores

Em noite de Willian Arão, que marca nos acréscimos, mas desperdiça chance final, rubro-negro vê sonho do bicampeonato terminar 

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Leandro Moreira
Jogadores do Racing comemorando gol no Maracanã

Sem seu "Quarteto Fantástico" em campo, já que Gabigol ficou fora da decisão, o Flamengo apostou em outro sucesso cinematográfico para enfrentar o Racing, no Maracanã: onze homens e um segredo! Para chegar à próxima fase seria preciso desvendar os mistérios do time armado por Sebastián Beccacece, um ferrolho à moda argentina que resistiu bem aos ataques do atual campeão da América nos primeiros minutos. 
Sem novidades. No melhor estilo "perde-pressiona", consagrado nos tempos de Jorge Jesus, os comandados de Rogério Ceni apostaram na velocidade de Bruno Henrique, um homem quase bicentenário com a camisa rubro-negra para tentar chegar ao gol. Imparável, frenético, como em muitos dos 99 jogos anteriores, ele abria caminho pelas pontas, enquanto Arrascaeta e Everton Ribeiro levavam perigo e tentavam colocar Vitinho na cara do gol. Aos 44 minutos, quase no apagar das luzes da primeira etapa, o que poderia ser um golpe de mestre do atacante saiu por pouco e beijou a trave, como aquele casal em busca do final feliz.
Sem mudanças na volta do intervalo, o Flamengo manteve a pressão. Corre, corre, Racing. Usando a velha tática de cansar o adversário, Vitinho quase abriu o placar aos 4 minutos, em chute de fora da área que desviou na defesa. Com o lateral Isla, de volta ao time, correndo tão ou mais que o protagonista de "Carruagens de Fogo" pelo lado direito, o time ganhou uma importante válvula de escape. 
Mas todo filme tem seu ponto de virada. E ela aconteceu aos 14 minutos, quando o experiente Rodrigo Caio foi expulso infantilmente. No lance seguinte, bola alçada na área e Sigali, aproveitando o apagão da defesa, marca. Lance checado pelo árbitro de vídeo, que confirmou. O filme do Fla queimava.
Chama o Pedro! Não o Almodóvar, cineasta consagrado por grandes tramas, mas o Libertador, o mocinho que surge no fim para reorganizar as ações e garantir um final feliz. Para o alto e avante, já dizia o superman. A pressão aérea do Mengão consagrou o goleiro Arias em duas oportunidades. O tempo jogava contra os brasileiros.
Á espera de um milagre o Flamengo viveu a angústia até os acréscimos. Foram 93 minutos até Willian Arão, quase na hora dos créditos finais, levar a decisão para as penalidades. Como nos enredos dignos de um Oscar, quis o destino que o mesmo Arão vivesse uma noite de anti-herói de uma nação apaixonada pela arte de jogar futebol em duas cores. 
O sonho dourado do terceiro título continental se esvaiu em uma bola. O clímax dessa história ficou mesmo para o fim. Nem sempre saímos da sessão satisfeitos, mas sempre temos a chance de aprender algo novo. A Libertadores é mesmo coisa de cinema!

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