Resenha: Denshattack! mistura trens, manobras e rebeldia

Novo jogo da Undercoders mistura a jogabilidade de Tony Hawk em uma aventura pós-apocalíptica surpreendentemente completa

V
Vinícius Gobira
denshattack review

É difícil olhar para um trem realizando saltos, giros e grinds sem pensar que Denshattack! nasceu de uma ideia completamente absurda. O mais surpreendente, porém, é perceber que o conceito vai muito além de uma simples brincadeira.

Desenvolvido pela Undercoders, o jogo transforma locomotivas em verdadeiros skates gigantes, combinando velocidade, manobras radicais e uma estética inspirada em animes e jogos urbanos dos anos 2000. O resultado é uma experiência criativa, responsiva e cheia de personalidade.

Uma rebelião sobre os trilhos

Denshattack! se passa em um Japão devastado por uma crise climática. Enquanto parte da população vive confinada em grandes domos, a megacorporação Miraido controla o transporte ferroviário e as conexões entre essas áreas.

Nesse cenário conhecemos Emy, uma jovem condutora de trens que trabalha fazendo entregas de lámen. Sua rotina muda quando ela entra em contato com os Denshattackers, um grupo de rebeldes que utiliza locomotivas modificadas para disputar território, desafiar rivais e enfrentar o domínio da corporação.

A narrativa não é especialmente profunda, mas cumpre bem o seu papel. Ela contextualiza as viagens, apresenta personagens carismáticos e oferece uma boa justificativa para atravessar o país realizando manobras impossíveis.

Denshattack! | Reprodução/Undercoders
Denshattack! | Reprodução/Undercoders

Tony Hawk sobre trilhos

O grande destaque de Denshattack! está na jogabilidade. Os trens podem saltar, girar, realizar flips, deslizar por monotrilhos e paredes, atravessar túneis e executar drifts em curvas fechadas.

A comparação com Tony Hawk's Pro Skater é inevitável. O sistema de movimentos incentiva a criação de combos longos, enquanto você tenta manter o fluxo entre rampas, trilhos e obstáculos. A principal diferença está na movimentação: como os trens seguem caminhos parcialmente definidos, o desafio não é explorar livremente o cenário, mas reagir rapidamente ao que aparece pela frente.

Apesar do peso das locomotivas, os controles são ágeis e precisos. A sensação de velocidade é constante, e cada fase exige atenção para escolher rotas, evitar quedas e encaixar manobras no momento certo.

O jogo também evita punições excessivas. Errar uma acrobacia normalmente não significa perder imediatamente, permitindo que o jogador se arrisque mais. Essa liberdade torna as primeiras partidas acessíveis, mas conquistar as maiores pontuações exige domínio dos comandos, velocidade e repetição.

Denshattack! | Reprodução/Undercoders
Denshattack! | Reprodução/Undercoders

Fases variadas e muito conteúdo

A campanha leva Emy por oito regiões do Japão, distribuídas em aproximadamente 60 fases. Há cidades, áreas rurais, paisagens costeiras, montanhas, túneis, regiões tomadas pela neve e até locais cercados por lava.

Os cenários não funcionam apenas como pano de fundo. Cada ambiente introduz obstáculos, caminhos alternativos e estruturas próprias para manobras. Trilhos se cruzam, rampas aparecem em locais improváveis e elementos gigantescos do cenário podem ser usados para manter os combos.

Além de chegar ao final das fases, o jogador pode cumprir objetivos secundários, encontrar latas de tinta, coletar fitas e melhorar suas pontuações. Esses desafios ajudam a aumentar a longevidade da campanha e oferecem bons motivos para retornar aos níveis anteriores.

As batalhas contra chefes também quebram o ritmo das fases tradicionais. Os confrontos apostam no exagero visual e em situações inesperadas, reforçando a personalidade irreverente do jogo.

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Trens personalizados

A garagem é outro elemento importante da progressão. Denshattack! oferece mais de 30 locomotivas, com características próprias e opções de personalização.

É possível alterar pinturas, cores, adesivos e componentes mecânicos. As modificações visuais dão personalidade aos veículos, enquanto os ajustes de desempenho permitem adaptar o trem ao estilo de cada jogador.

Esse sistema também incentiva a repetição das fases. Uma locomotiva mais adequada pode facilitar determinados desafios ou ajudar na busca por pontuações mais altas.

Denshattack! | Reprodução/Undercoders
Denshattack! | Reprodução/Undercoders

Visual vibrante e trilha energética

Visualmente, Denshattack! evita o futurismo escuro normalmente associado a mundos pós-apocalípticos. O jogo utiliza cores fortes, contrastes elevados, cel-shading, onomatopeias e grafismos inspirados em mangás.

As animações misturam elementos tridimensionais com ilustrações estilizadas, criando uma identidade que lembra produções japonesas do início dos anos 2000. Explosões, fumaça, neve e partículas ocupam a tela constantemente, mas sem comprometer a clareza ou o desempenho.

A trilha sonora acompanha bem essa energia. Com batidas eletrônicas, sintetizadores e influências de hip-hop e J-Pop, as músicas ajudam a manter o ritmo acelerado das fases. Em diversos momentos, a combinação entre som, velocidade e direção de arte remete a clássicos como Jet Set Radio e Crazy Taxi.

Denshattack! | Reprodução/Undercoders
Denshattack! | Reprodução/Undercoders

Denshattack! vale a pena?

Denshattack! poderia facilmente depender apenas da estranheza de sua proposta. Felizmente, o jogo consegue transformar a ideia de "trens fazendo manobras" em uma experiência consistente.

A jogabilidade é precisa, as fases apresentam boa variedade e a progressão oferece motivos para continuar jogando. Embora a campanha possa perder parte do impacto inicial depois de algumas horas, o aumento gradual da dificuldade, os colecionáveis e a busca por melhores pontuações sustentam bem a experiência.

Mais do que um experimento curioso, Denshattack! é um jogo de ação competente, criativo e visualmente marcante. Em uma indústria frequentemente dependente de fórmulas conhecidas, a Undercoders entrega uma aventura que entende sua própria loucura e sabe exatamente como aproveitá-la.

Denshattack! está disponível para PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 e PC. Esta análise foi realizada com a versão de PS5, a partir de um código fornecido pela Fireshine Games.

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