Call of Duty: Modern Warfare 4 aposta na nostalgia na BGS
Rodrigo Pérez, diretor de Publishing da Activision para a América Latina, fala sobre o legado da franquia e as novidades de Modern Warfare 4

Poucas franquias na história dos videogames conseguiram atravessar tantas gerações quanto Call of Duty. Desde sua estreia, em 2003, a série se consolidou como uma das maiores referências dos jogos de tiro em primeira pessoa, conquistando milhões de fãs com campanhas cinematográficas, personagens marcantes e um multiplayer que se tornou parte da rotina de jogadores ao redor do mundo.
Dentro desse universo, Modern Warfare ocupa um lugar especial. Lançado originalmente em 2007, Call of Duty 4: Modern Warfare revolucionou a franquia e ajudou a estabelecer novos padrões para o gênero. Quase duas décadas depois, a Activision se prepara para dar continuidade a essa história com Call of Duty: Modern Warfare 4, previsto para 23 de outubro de 2026.
Durante a Brasil Game Show (BGS) 2026, o SBT Games teve a oportunidade de experimentar o novo título e conversar com Rodrigo Pérez, diretor de Publishing da Activision para a América Latina, sobre os desafios de manter uma franquia tão tradicional relevante, o peso da nostalgia e os planos da empresa para o público latino-americano.
E, para quem cresceu jogando Modern Warfare 2 e Modern Warfare 3, a sensação de reencontrar esse universo foi um dos pontos mais marcantes da experiência.
Uma experiência que mistura nostalgia e novidades
Antes mesmo da entrevista, tivemos a oportunidade de colocar as mãos em Modern Warfare 4. A experiência foi bastante positiva e trouxe de volta lembranças da época em que os primeiros títulos da série dominavam as partidas entre amigos.
Esse sentimento ficou ainda mais evidente durante a BGS, quando retornamos ao jogo para disputar outras partidas no tradicional multiplayer 6x6.
O espaço da Monster Energy foi um dos pontos de destaque para quem queria conhecer o lançamento. Com uma estrutura de grandes proporções, o estande disponibilizou 36 estações de jogo, permitindo a realização simultânea de três partidas de 6x6.
A movimentação intensa e a oportunidade de experimentar o multiplayer antes do lançamento contribuíram para criar um ambiente que lembrava os tempos de maior popularidade dos primeiros Modern Warfare.
Esse sentimento de nostalgia também foi levado à conversa com Rodrigo Pérez. Ao ouvir que o novo jogo despertava lembranças da infância e das partidas dos títulos anteriores, o executivo respondeu, em tom de brincadeira, que isso era sinal de que estávamos ficando velhos.
A resposta descontraída abriu espaço para uma reflexão sobre o principal desafio da Activision: preservar aquilo que tornou Call of Duty tão popular sem deixar de evoluir.
O desafio de respeitar o passado e conquistar novos jogadores
Para Rodrigo Pérez, trabalhar com uma franquia que atravessa mais de duas décadas exige encontrar um equilíbrio entre inovação e respeito à própria história. O executivo destacou a importância dos primeiros jogos da linha Modern Warfare, especialmente do título de 2007, que considera um marco para os jogos de tiro.
Segundo ele, a decisão de reiniciar a série em 2019, em vez de simplesmente recriar os títulos antigos, fez parte dessa estratégia de renovação. A Activision optou por desenvolver uma nova narrativa, mantendo personagens conhecidos e ampliando suas histórias. Agora, Modern Warfare 4 representa um novo passo para esse universo.
"Quando uma franquia tem tantos anos, o maior desafio é continuar relevante, mas também trazer coisas novas"
O executivo apontou três prioridades para a produção: construir uma história relevante, oferecer entretenimento e atender às expectativas da comunidade.
Isso significa agradar tanto os fãs que acompanharam a trilogia original quanto aqueles que conheceram a série por meio dos títulos mais recentes, sem esquecer os jogadores que terão seu primeiro contato com Call of Duty.
Pérez também destacou a importância do multiplayer, considerado por ele o coração da experiência da franquia e o modo que concentra boa parte do envolvimento da comunidade.
Já a campanha promete ter um peso especial, pois, segundo o executivo, representará a conclusão da história da atual série Modern Warfare.
Uma campanha que aborda conflitos e temas controversos
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a maneira como Modern Warfare utiliza conflitos internacionais e situações politicamente delicadas em suas histórias.
A campanha de Modern Warfare 4 apresenta um cenário de guerra envolvendo as Coreias, com uma invasão norte-coreana e diferentes frentes de combate. A trama acompanha um jovem soldado sul-coreano e também o Capitão Price, personagem histórico da franquia, em uma narrativa que reúne operações militares e conflitos pessoais.

De acordo com Pérez, cada uma das diferentes séries de Call of Duty possui sua própria identidade, e Modern Warfare sempre esteve associado a assuntos controversos.
"Não fugimos da controvérsia, mas também não buscamos fazer política ou transmitir algum posicionamento. Somos um videogame que busca entreter".
O diretor explicou que países e acontecimentos internacionais funcionam como inspirações para a equipe criativa, e não necessariamente como tentativas de estabelecer discursos políticos.
Ele também destacou a diversidade cultural dos profissionais envolvidos na produção. Segundo Pérez, as equipes trabalham em diferentes países, permitindo que perspectivas variadas contribuam para a construção das histórias e dos personagens.
A América Latina tem papel fundamental em Modern Warfare
A relação de Call of Duty com o público latino-americano também ganhou destaque durante a conversa. Pérez ressaltou que a região não é importante apenas comercialmente, mas também faz parte da própria identidade narrativa de Modern Warfare.
Como exemplo, mencionou a presença do México em Modern Warfare 2, além de personagens como Valeria, que retorna no novo título. O executivo também relembrou Favela, mapa ambientado no Brasil que se tornou um dos mais queridos pelos fãs e esteve presente em Modern Warfare 3.
Durante a entrevista, inclusive, houve espaço para compartilhar a preferência pelo mapa brasileiro, que marcou gerações de jogadores.
"Eu diria que, sem a América Latina, a história de Modern Warfare não estaria completa"
Para ele, a paixão das comunidades do Brasil, México, Chile e Argentina demonstra a força que a franquia conquistou na região. Essa importância também ajuda a explicar o investimento da Activision em sua presença na BGS 2026.

Segundo o executivo, participar do evento brasileiro era uma prioridade desde as primeiras etapas do planejamento de divulgação do novo jogo. A empresa queria garantir que os visitantes pudessem experimentar Modern Warfare 4 antes de seu lançamento oficial.
A estrutura com 36 estações no estande da Monster Energy e a presença do jogo no espaço da Nintendo demonstram essa estratégia.
Pérez ainda ressaltou que a BGS representa uma das maiores oportunidades de contato direto dos jogadores com o lançamento neste ano.
Call of Duty retorna à Nintendo após 13 anos
Uma das grandes novidades de Modern Warfare 4 é sua chegada ao Nintendo Switch 2, marcando o retorno da franquia aos consoles da Nintendo após um intervalo de 13 anos. O último título lançado para uma plataforma da empresa havia sido Call of Duty: Ghosts, disponibilizado para o Wii U em 2013.
Na BGS 2026, os visitantes também tiveram a oportunidade de experimentar Modern Warfare 4 no estande da Nintendo, conhecendo a adaptação do jogo para o novo console. Pérez explicou que a chegada ao Switch 2 representa muito mais do que ampliar a lista de plataformas disponíveis.
Para a Activision, trata-se de uma oportunidade de apresentar Call of Duty a um público que, até então, poderia não ter tido contato com a franquia.
"O Switch 2 é um consumidor que nos entusiasma muito, porque talvez seja o primeiro Call of Duty dessa pessoa".
O executivo destacou que o objetivo da equipe de desenvolvimento foi preservar a identidade do jogo, independentemente da maneira escolhida para jogar. Isso inclui tanto a experiência com o console conectado à televisão quanto a utilização no modo portátil.
Para Pérez, o mais importante é que o jogador reconheça imediatamente a essência da franquia.
O lançamento também marca uma evolução técnica, já que Modern Warfare 4 deixa de lado os consoles da geração anterior, como PlayStation 4 e Xbox One, permitindo à equipe concentrar esforços em melhorias gráficas, processamento e detalhamento dos mapas.

Veteranos e novatos: o futuro da comunidade de Call of Duty
Durante a entrevista, também conversamos sobre a importância de conquistar novos jogadores sem perder a base de fãs que acompanha a franquia há anos. Para Pérez, os dois públicos são igualmente importantes.
Ele explicou que os jogadores veteranos desenvolveram uma relação muito particular com Call of Duty. Muitos acompanham os lançamentos anualmente, conhecem profundamente suas mecânicas e participam de uma comunidade extremamente dedicada.
Por outro lado, a chegada de novos jogadores é fundamental para manter o universo da franquia em constante renovação.
"Se você não atrai pessoas novas, a experiência acaba ficando sempre entre os mesmos jogadores"
O executivo também destacou o retorno a um ciclo de três anos de desenvolvimento para o novo título, algo que, segundo ele, permitiu à equipe alcançar avanços perceptíveis na experiência.
A intenção é que até mesmo quem passou algum tempo afastado de Call of Duty perceba uma evolução ao retornar.
BGS 2026 marca o início de uma nova fase para Modern Warfare
Além de apresentar o multiplayer ao público brasileiro, a BGS 2026 funciona como ponto de partida para a reta final de divulgação do novo jogo.
De acordo com Pérez, a Activision preparou uma sequência de ações especiais para o Brasil, incluindo novidades e surpresas previstas para São Paulo nas semanas próximas ao lançamento.
O executivo explicou que o planejamento foi desenvolvido ao longo de todo o ano e que a participação na feira representa apenas o início dessa etapa.
O calendário de lançamento também será dividido entre diferentes experiências. Os jogadores que adquirirem o título digitalmente de forma antecipada poderão acessar a campanha a partir de 16 de outubro. O acesso antecipado ao modo DMZ está previsto para 20 de outubro, enquanto o lançamento completo, incluindo o multiplayer, acontecerá em 23 de outubro.
Depois disso, a proposta é manter a comunidade envolvida com atualizações, temporadas e conteúdos adicionais.
Primeiras impressões: Modern Warfare 4 mantém sua essência
Após a entrevista, voltamos a jogar Modern Warfare 4 na BGS, participando de mais algumas partidas multiplayer 6x6. A experiência só reforçou a impressão positiva do primeiro contato com o título.
O sentimento de nostalgia foi, sem dúvida, um dos aspectos mais fortes. Para quem cresceu jogando os antigos Modern Warfare, reencontrar a dinâmica do multiplayer trouxe aquela familiaridade que ajudou a transformar a franquia em um fenômeno mundial.
Ao mesmo tempo, ficou clara a intenção de apresentar essa identidade a uma geração que talvez nunca tenha experimentado os jogos originais.
É justamente nessa combinação que parece estar a principal aposta da Activision: fazer Modern Warfare 4 parecer familiar para quem já conhece a série, mas interessante o suficiente para quem está chegando agora.
Call of Duty: Modern Warfare 4 chega em 23 de outubro de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2.



