Castlevania: Belmont's Curse prova que a espera valeu a pena

Após 18 anos, Castlevania retorna com combates dinâmicos, uma nova protagonista e desafios que colocam os reflexos à prova

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Vinícius Gobira
Castlevania review

Foram 18 anos de espera para que Castlevania voltasse às suas raízes de exploração em 2D. Desde o lançamento de Castlevania: Order of Ecclesia, em 2008, a franquia passou por mudanças, recebeu coletâneas e ganhou outras experiências, mas faltava uma aventura inédita que resgatasse a fórmula responsável por conquistar tantos jogadores.

Essa espera chegou ao fim com o lançamento de Castlevania: Belmont's Curse. Desenvolvido pela Konami em parceria com a Evil Empire e a Motion Twin, o título assume uma missão nada simples: apresentar uma nova geração de jogadores ao universo de Castlevania sem deixar de lado o legado de uma das séries mais importantes da história dos videogames.

E existe uma pressão adicional nessa volta. Durante os anos em que Castlevania esteve longe desse formato, o gênero metroidvania cresceu bastante e ganhou jogos que elevaram as expectativas do público.

Testamos a versão de PlayStation 5 e encontramos uma aventura que entende a importância de sua história, mas que também quer construir uma identidade própria. E, mesmo para quem não tem tanta habilidade com jogos de ação 2D, há bons motivos para embarcar nessa jornada.

O prazer de vencer depois de tantas tentativas

Existe algo muito particular na sensação de derrotar um chefe depois de perder várias vezes. Aquele momento em que o inimigo finalmente cai, depois de uma sequência de erros, tentativas frustradas e estratégias que não deram certo, é uma das experiências mais recompensadoras dos videogames.

E foi exatamente essa sensação que mais marcou minha experiência com Castlevania: Belmont's Curse. Preciso confessar uma coisa: sou péssimo em jogos 2D que exigem precisão, reflexos rápidos e domínio dos movimentos. Isso significa que situações aparentemente simples para jogadores mais experientes podem se transformar em verdadeiros obstáculos para mim.

Belmont's Curse não é necessariamente um dos títulos mais difíceis do gênero, mas isso não impediu que alguns chefes me dessem bastante trabalho. É aquele tipo de jogo em que insistir na mesma estratégia nem sempre resolve. Aos poucos, você percebe que precisa mudar a abordagem, esperar a oportunidade certa e usar melhor as ferramentas disponíveis.

O mais interessante é que essa satisfação não depende de uma dificuldade exagerada. O jogo consegue criar desafios que fazem o jogador sentir que melhorou ao longo da aventura. Mesmo quando um chefe parece impossível nas primeiras tentativas, a sensação de progresso aparece conforme seus movimentos ficam mais precisos.

Uma aventura que carrega o peso de uma família

Em Belmont's Curse, a história nos leva à Paris de 1499, onde uma invasão de criaturas sobrenaturais transforma a cidade em um verdadeiro pesadelo.

É nesse cenário que conhecemos Rose Belmont, filha de Trevor Belmont e Sypha Belnades, personagens que possuem uma ligação importante com o passado da franquia. A jovem precisa enfrentar monstros, investigar acontecimentos misteriosos e lidar com uma ameaça que coloca novamente o nome de Drácula no centro da história.

A escolha de Rose como protagonista representa uma oportunidade interessante de explorar uma nova geração da família Belmont. Afinal, carregar um sobrenome tão importante significa conviver com expectativas que vão muito além de simplesmente derrotar criaturas pelo caminho.

O enredo segue uma proposta relativamente direta, com elementos de fantasia sombria, mistérios e referências aos acontecimentos anteriores da franquia. As cartas de tarô, ligadas ao passado de Sypha, acrescentam outra camada à jornada e também possuem uma função importante nas habilidades da protagonista.

Um chicote que faz muito mais do que atacar

Se tem uma característica fundamental para um jogo de ação 2D funcionar, é a maneira como o personagem responde aos comandos.

Em Belmont's Curse, a movimentação é uma peça central da experiência. Rose possui um conjunto de habilidades que favorece deslocamentos rápidos, ataques combinados e diferentes formas de atravessar os cenários.

O clássico chicote da família Belmont funciona como arma, e pode ser utilizado para alcançar determinados pontos do ambiente, atravessar obstáculos e aproximar a protagonista dos inimigos.

O arsenal não fica limitado ao chicote. O jogo oferece sete categorias de armas, com opções para diferentes estilos de combate. Há equipamentos que favorecem ataques rápidos e outros que apostam em golpes mais pesados, permitindo que cada jogador procure uma maneira de lutar que combine com suas preferências.

Rose também conta com recursos defensivos, como o escudo de luz, e habilidades mágicas ligadas às cartas de tarô.

O sistema oferece possibilidades interessantes justamente porque não existe apenas uma ferramenta para resolver todos os problemas. Dependendo do inimigo ou do obstáculo, mudar a maneira de agir pode ser tão importante quanto ter uma arma mais poderosa.

Explorar é tão importante quanto lutar

Embora os confrontos tenham bastante destaque, uma das características fundamentais do gênero metroidvania é a exploração de cenários interligados. Ao longo do caminho, encontramos passagens bloqueadas, lugares aparentemente inacessíveis e áreas que escondem equipamentos ou melhorias.

Alguns desses obstáculos só podem ser superados depois que Rose adquire novas habilidades, incentivando o retorno a locais que já visitados. O jogo também oferece recursos para organizar melhor essa exploração, incluindo marcadores no mapa e indicadores de progresso em cada região.

Existe ainda um sistema de viagem rápida, importante para evitar que os deslocamentos se tornem cansativos conforme o mapa se expande.

No conjunto, Belmont's Curse procura preservar o prazer de descobrir segredos e encontrar novas possibilidades, mas incorpora ferramentas que tornam essa experiência mais amigável ao público atual.

A identidade de Castlevania em uma nova geração

Outro elemento que merece atenção é a direção de arte. Castlevania sempre construiu boa parte de sua personalidade em torno de castelos, criaturas assustadoras, construções imponentes e uma atmosfera inspirada no horror gótico.

Belmont's Curse preserva essa identidade, mas apresenta uma interpretação visual própria, com cenários coloridos, contrastes marcantes e personagens desenhados com bastante personalidade.

Os inimigos também ajudam a construir esse universo. Entre criaturas sobrenaturais e figuras conhecidas dos fãs, os confrontos reforçam o clima de fantasia sombria que acompanha a série desde seus primeiros jogos.

Naturalmente, essa mudança também traz diferenças em relação aos jogos antigos. Belmont's Curse simplifica alguns elementos de RPG e reorganiza sistemas de combate, equipamentos e habilidades que os fãs podem estar acostumados a encontrar em outras aventuras da franquia.

Veredito: afinal, Castlevania: Belmont's Curse vale a pena?

Retomar uma franquia depois de tanto tempo nunca é uma tarefa simples, especialmente quando estamos falando de uma série que ajudou, junto com Super Metroid, a criar e estabelecer as bases deste gênero.

Castlevania: Belmont's Curse encontra seu caminho ao apostar em uma aventura que valoriza o combate, a exploração e a evolução gradual das habilidades do jogador.

A nova protagonista representa uma oportunidade de expandir o legado dos Belmont, enquanto o conjunto de armas e poderes oferece diferentes possibilidades para enfrentar as criaturas que aparecem durante a jornada.

O jogo também demonstra que é possível criar desafios interessantes sem depender exclusivamente de uma dificuldade extrema. As opções de personalização ajudam a ampliar o alcance da experiência, permitindo que pessoas com diferentes níveis de habilidade aproveitem a aventura.

Depois de 18 anos, é bom ver Castlevania de volta a esse formato. E, se Belmont's Curse representa o começo de uma nova fase para a franquia, existem bons motivos para torcer para que a próxima aventura não demore tanto a chegar.

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